domingo, 6 de novembro de 2011

MEMORIAL CLÁUDIA TAVARES

APRESENTAÇÃO:

“[...], tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
Fernando Pessoa.

Pela primeira vez em minha vida escrevo um memorial de leitura. Desafio nada fácil. As etapas da minha vida de leitora estão circunscritas nas fases pela qual passei e passo até os dias de hoje. Pois aqui estou tentando encontrar pontos de interseção entre minhas lembranças e a expressão viva em relação aos livros de minhas vivências.
Entrego-me a essa tarefa com maior prazer do que simplesmente escrever ou produzir informações sem minimizar estas de acordo com cada momento, época e situação, porque este documento nada mais é que um relato vivencial de tudo que fui e sou, enquanto minha vida de leitora e minha relação com os livros desde muito pequenina.
Não chega a ser a obra prima de nenhum autor famoso, que expressa seus pensamentos através de palavras bonitas, formando lindos poemas e poesias, mas um relato dos tempos da minha vida quando criança, aluna, adolescente, mulher, mãe e principalmente professora, minha tão desejada profissão.
Lembro-me da minha declaração pública aos meus pais sobre o que pretendia ser no futuro. “... vou estudar até tirar o curso de Pedagogia, ou seja, naquela época, ainda muito pequenina, dizia que queria ser professora”.
Mas esse sonho adormeceu por algum tempo e outras vontades surgiram, no entanto meus desejos mais antigos vieram à tona novamente e aqui estou quase formada no curso de Pedagogia.
Pois bem, como meu intuito aqui é fazer um memorial de leitura tentarei expressar meus sentimentos em relação aos livros de forma mais clara e objetiva possível, onde todos possam compreender como foi minha iniciação com a leitura e a escrita.
Sendo assim, procurarei passar as informações mais profundas de minhas lembranças, deixando aflorar minhas angústias e meus anseios em relação aos livros; fontes inesgotáveis do saber humano.
Os quais são procurados e manuseados por aqueles que buscam informações sobre diversos tipos de assuntos, ou simplesmente, querem viajar nas palavras, deixando-se levar pelo encantamento das frases daquelas folhas mágicas do conhecimento humano.























MEMORIAL DE LEITURA.

1. Como os livros entraram em minha vida.
Recordo-me que desde muito pequena via minha mãe ter o hábito de ler todos os dias ao se deitar, lembro-me também de ver meu pai reclamando da luz acesa no quarto, enfim posso dizer que em minha casa apesar de minha mãe gostar de ler histórias românticas do tipo Sabrina entre outras, e meu irmão mais velho gostar de ler histórias em quadrinhos do tipo Conan e historinhas em gibis não fui estimulada à leitura, pois nenhum deles tiveram alguma atitude de proporcionar-me algum tipo de contato com os livros e isso fez com que também eu não desse importância alguma para os mesmos.
Eu via aqueles livros na cabeceira da cama de minha mãe e também via as revistas de meu irmão no quarto dele, mas como não sabia ler e nunca ninguém leu nada pra mim eu não tinha interesse de saber o que ali se encontrava escrito.
Talvez seja porque o conteúdo da capa dos livros não me chamasse a atenção, não tinha disponível em minha residência nada adequado à minha faixa etária do tipo livrinhos infantis ou revistinhas com historinhas que pudesse chamar a atenção de uma menina muito meiga e delicada que me recordo ter sido naquela época.
Seguindo em minhas lembranças, por volta do ano de 1986, quando entrei para a escola, para cursar o Pré A, foi aí que comecei de fato a me interessar pelos livros ou pelo menos no que continha neles. Minha professora do pré lia muito pouco pra nós em sala de aula, ela se preocupava em ensinar e não dava muita bola na questão de ler para a turma.
Mas como fui aprimorando meus conhecimentos e comecei a ter contato com a escrita, me despertou o interesse em ler o que escrevia e assim comecei de vagarinho ler algumas palavras que escrevia em meu caderninho escolar.
Mais tarde, quando entrei na 1º série, minha professora me estimulou um pouco mais em relação à leitura, mas este estímulo não foi de forma prazerosa, foi de forma obrigatória e assim se deu ao longo dos anos, durante minha vida escolar, não tive a oportunidade de encontrar professoras que soubessem de verdade estimular-me em ler por prazer e isso fez com que eu mantivesse-me afastada do mundo mágico da leitura e como em casa nunca fui cobrada por nenhum de meus pais em ler livros, eu nunca dei muita bola pra eles.
Então os anos passaram e eu já me encontrava totalmente alfabetizada, já dominando a leitura e a escrita perfeitamente fui fazendo minhas tarefas de casa conforme meus professores me pediam, sempre fui muito dedicada e me esforçava para ser sempre a aluna nota dez em tudo.
Os anos foram passando e eu me recordo que cheguei à sexta série do antigo 1º Grau, por volta do ano de 1991, foi quando encontrei uma professora bem exigente, e que começou a cobrar leitura da turma, mas infelizmente ela fazia isso da forma mais cruel possível, mandava nós pegarmos livros na biblioteca uma vez por semana e cobrava resumos toda à sexta-feira da gente dos benditos livros que éramos obrigados a ler.
Eu, pra variar fazia o que de praxi, quase todos faziam, pegava e copiava o resumo no final da capa dos livros e minha professora nunca reclamou e sempre me dava notas pelos trabalhos realizados, acredito que nunca avaliou a qualidade e sim a entrega pontual dos trabalhos e a realização dos mesmos.
E isso foi muito ruim pra mim, pois só fez crescer o horror pelos livros, pois pra mim era uma tortura perder meu tempo em ler aquele monte de folha sobre coisas que não eram interessantes pra mim.
O tempo foi passando e eu crescendo, até que no ano de 1994, já na oitava série comecei a me interessar por pequenos textos informativos do tipo entrevistas em revistas, reportagens em jornais e aí fui meio que me familiarizando com o mundo da leitura.
Pois o 2º Grau se aproximava e as cobranças também, então no ano de 1995 entrei para o tão famoso e esperado segundo grau, aí topei com uma professora de verdade, que além de ter me ensinado a entender e aprender a língua portuguesa me ensinou a gostar da matéria de Português, fazendo a gente se interessar pela leitura, despertando em mim pela primeira vez o prazer pela leitura.
Isso fez com que me aprofundasse e começasse de vagarinho a ler pequenos livros e assim comecei, mas ainda tinha um grande problema, eu era muito preguiçosa pra ler e levava uma vida lendo esses livros.
Os anos se passaram e eu cresci me tornando uma adolescente, quase mulher, comecei a trabalhar e eu meu caminho cruzou meu primeiro chefe, que gostava de ler muito há Zero Hora e aí eu aproveitei o embalo e depois que ele lia eu lia também.
Terminei meu 2º Grau, querendo cursar um curso de Administração o que de fato não aconteceu, pois nesse meio tempo comecei a namorar sério e casei, formando minha família e aí essa vontade foi esquecida.
Mais tarde veio minha primeira filha, o qual amo muito e com ela também veio à vontade de saber mais sobre o mundo infantil, saber mais como se cuidava de crianças, o que tinha que ser feito para que ela tivesse uma boa educação, enfim veio à preocupação de me tornar melhor como pessoa, mulher para que pudesse ser uma mãe exemplar em todos os sentidos.
Recordo-me que meu marido na época de namoro me dizia por que que em vez de fazer o 2º Grau normal eu não tirava um curso de professora, o famoso magistério, eu dizia que não, pois achava que não dava pra coisa, apesar de quando criança tivesse muita vontade de ser professora, pois levava os restinhos de giz da minha professora e riscava com os mesmos atrás da porta da sala de minha mãe, fazendo a mesma de quadro negro, mas essa vontade tinha sido esquecida ao longo dos anos.
Achava a idéia de meu marido um pouco absurda, pois já estava concluindo minha formação e não queria começar tudo de novo, além de que todos diziam que fazer o curso de magistério era um horror de tão difícil, além de caro. Pois se gastava muito com materiais e apostilas.
Pois bem, os anos foram passando e eu fiquei desempregada e sem uma profissão de verdade, até porque tinha casado e abandonado o sonho de ter uma profissão, comecei a ser dona de casa e engravidei novamente, da minha segunda filha, digo sempre que ela foi minha chave para um futuro de glórias e realizações; pois foi ainda grávida dela que tive uma reflexão muito séria de minha vida toda e tomei uma decisão de voltar a estudar e ter uma profissão.
Ainda com oito meses de gestação fui fazer minha inscrição no curso de magistério, iria voltar a estudar e fazer um curso profissional, até porque não tinha condições na época de cursar Faculdade alguma.
Sem contar a ninguém me inscrevi, até brincaram comigo no momento da inscrição, que iriam fazer ela, mas com aquela barriga eu não iria aparecer para começar o curso.
Recordo-me de ter dito que seria a primeira a colocar o pé na sala de aula no primeiro dia da mesma, e por minha vontade e esforço próprio lá eu estava, firme, forte e com muita garra de vencer e de me formar.
Minha pequenina colaborou muito comigo e ficou firme, forte e com garra em casa nas mãos das várias babás que tive ao longo do curso e assim passei minha vida durante dois longos anos até me formar, fazendo as didáticas do curso do Magistério, porque as matérias eu já tinha feito no segundo grau normal.
Enfim, foi no magistério que descobri o verdadeiro gosto pela leitura, me envolvi nas descobertas dos livros nas informações, no conhecimento a cerca do que era ser professor, no fantástico mundo dos Grandes pensadores, foi aí que descobri do que realmente gostava de ler, comecei por bibliografias que falassem de Educação, como Educar, sobre infância, sobre tudo que envolvesse minha futura profissão.
Descobri que realmente eu queria ser uma Educadora de verdade, me entreguei, mergulhei de cabeça, até me formar e pra minha sorte três meses depois da minha formatura no magistério, surgiu à oportunidade de cursar uma Faculdade, um curso de Pedagogia, e eu me atirei de cabeça novamente, com unhas e dentes, nem pensei que não estava trabalhando ainda, só sei que fui e fiz minha inscrição, rezei muito pra que Deus me ajudasse e que eu pudesse em março começar minha Faculdade.
Acho que ele me ouviu, acho não, tenho certeza, pois uns quinze dias depois que fiz minha inscrição na faculdade consegui um contrato como professora do 2º ano de uma escola pro interior de meu município, outra luta iria começar a travar, mas não desisti e com a graça de Deus, aqui estou, podendo escrever este Memorial de Leitura como parte de avaliação de uma disciplina de meu curso.
Passei por várias fases durante minha aprendizagem, mas com certeza foi aqui, durante minha estadia em um curso de nível superior é que aprendi que ler é importantíssimo para que tenhamos conhecimentos sólidos sobre tudo, sobre o que gostamos o que precisamos aprender, sobre o mundo em geral.
Podendo dizer também que foi através do curso de Pedagogia que aprendi a ser uma pessoa melhor, confiante em minhas ações e que descobri que posso ser uma excelente profissional na área da educação e que minha experiência de vida só me fortaleceu para não repetir com meus alunos ações e atitudes que meus professores tiveram para com a minha pessoa.
Fazendo com que meus queridos alunos desde cedo tomem o gosto pela leitura e pelo maravilhoso mundo das histórias infantis, o qual leio muito pra eles hoje em dia, pois estou me especializando para ser alfabetizadora e já fazem quase cinco anos que leciono pra os 1º e 2º anos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
Isso é uma verdadeira realização pra mim, pois estou quase formada em meu curso e já de olho em uma Pós-Graduação que pretende fazer logo, logo, além de várias formações continuadas que fiz juntamente com a faculdade, uma formação paralela que realizava em turnos e horários diferentes ao meu curso; pois acredito que ser professor é isso, é buscar sempre, inovar sempre, crescer sempre em todos os sentidos.
Pois os verdadeiros mestres não são aqueles que acham que sabem tudo e param no tempo, e sim aqueles que buscam sempre e estão em constantes aprendizagens, atrás do saber verdadeiro e diferenciado.













CONCLUSÃO.

Quando fui comunicada pela tutora que teríamos que fazer um memorial de leitura, pensei e agora o que vou escrever sobre isto, como realizar este trabalho, foram infinito as dúvidas que tive, mas como sempre fiz, fui pesquisar e fazer uma coisa que aprendi a fazer a pouco tempo ler com prazer, sobre como escrever um memorial e como deveria fazer um sobre leitura.
Pois bem, após várias pesquisas, consegui montar o meu, acredito que consegui realizar minha tarefa de forma clara e objetiva, procurei usar palavras e fácil compreensão, fazendo com que todos que lessem meu memorial, pudessem entender passo a passo minhas lembranças e vivencias,
Acredito que cumpri com êxito meu objetivo inicial e realizei um bom trabalho, espero que possa ter contribuído com todos que não gostem de ler, dizendo que esse hábito nos leva a descobrimentos fantásticos e a mundos inesquecíveis; espero também poder ter contribuído também com aqueles professores que não incentivam seus alunos a ler, os fazendo refletirem sobre suas ações em salas de aulas e que modifiquem suas formas de agir e pensar, pois estão participando de forma direta da vida dos alunos, no mundo mágico das crianças.















REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

ATP, Disciplina Fundamentos da Educação de Jovens e Adultos, disponível no AVA, Ambiente Virtual de Aprendizagem da Faculdade de Tecnologia e ciências - FTCead, acessado em 20/06/2011, às 20:05 min.

DICAS DA TUTORA: Como elaborar o Memorial?, disponível no site: dicasdatutora.blogspot.com/.../como-elaborar-o-memorial... ,acessado em 30/06/2011, às 14:25 min.

FCJP , ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE MEMORIAL, disponível no site: www.fcjp.edu.br/.../ ..., acessado em 26/06/2011, às 20:30 min.

LUCUBRAÇÕES INCONCLUSAS: Memorial de Leitura, disponível no site: lucubracoesinconclusas.blogspot.com/.../memorial-de-leitu, acessado no dia 02/07/2011, às 14:10 min.

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